Como foi o Startup Weekend Brasília

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Pré-evento
Quando pensamos em fazer um evento de empreendedorismo aqui na capital, nossa maior motivação era derrubar por vez o estigma que Brasília é movida pelo funcionalismo público. Queríamos mostrar que temos grandes mentes por aqui e que elas estão prontas para conceber, executar e vender ideias. Escolhemos o Startup Weekend por acreditar muito no formato “no talk, all action” e por termos certeza que precisamos de menos burocracia e mais ação.

Nosso maior medo sempre foi público. Afinal, o histórico de eventos de TI daqui não é nada bom. Já vimos vários grandes eventos – gratuitos, inclusive – com público baixíssimo. Mas entra aqui a contribuição de uma comunidade de startupeiros que está começando a se movimentar (principalmente, mas não apenas, o pessoal do Startup Dojo) que nos fez ter certeza que era possível atrair público.

Desde o dia zero, tivemos apoio da Microsoft. Mais do que um simples patrocínio, a Silvia Valadares e o pessoal do MIC/DF compraram nossa ideia e ajudaram a fazer acontecer.

Uma grata surpresa foi a receptividade dos mentores e palestrantes. Todos compraram de cara nossa ideia, ajudaram a divulgar e deram lastro ao que estávamos começando a fazer. Onde você ver esses caras, tenha certeza: a coisa é pra valer.

Abrimos as incrições e vimos dia a dia os inscritos (via Akamido, um abraço Michael!) pipocarem. Tinhamos como meta um mínimo de 50 participantes e um máximo de 100. Alcançamos o mínimo um mês antes do evento e, depois de uma semana de vendas a mil, o máximo. Há 20 dias do evento já estávamos com inscrições esgotadas. Foi a motivação principal para acertar os ponteiros de bastidores e fazer algo sensacional.

Os mentores foram se tornando verdadeiros sócios da ideia. Ajudavam com sugestões de outros mentores, palestrantes, contribuiam para a arrumação geral. Tínhamos aqui já boa parte da logística definida e o evento se aproximava. Tivemos também a indicação do Thiago Diniz de Recife para ser nosso facilitador. A ajuda que o Diniz viria a dar mais tarde foi sensacional também.

Seguindo válidas dicas dos mentores, fizemos um workshop pré-evento para falar sobre Business Model Generation e Lean Startup. Somos muito gratos ao Maurilio Alberone. No primeiro dia de trabalho, todos os grupos já estavam rascunhando Business Model Canvas.

Sexta
Chegamos então ao dia 3 de fevereiro ansiosos. Os mentores começavam a chegar, o fluxo de e-mails com dúvidas era impressionante e Twitter e Facebook pipocavam em notificações. Os voluntários (Gustavo, Alessandra, Gabriel, Priscila, Pricila, Leonardo, Alberto Junior, Adilson e tantos outros… um abraço!) foram essenciais. Ajudaram a colocar a casa em ordem e a receber os participantes que chegavam.

Começamos às 18h30 de sexta com a palestra de abertura, feita junto com o Thiago Diniz. A experiência dele em Weekends anteriores foi um empurrão para nos dar certeza que estávamos indo no rumo certo. A palestra de abertura tinha o objetivo maior de dar aos participantes um norte, uma orientação sobre o que fazer (e muito também sobre o que NÃO fazer). Orientamos também sobre o que valia e o que não valia nos pitches.

Passamos a bola para o Alexandre Gomes e o Fabricio Buzeto motivarem o pessoal e falarem mais sobre experiência de empreendimentos bem e mal sucedidos em tecnologia. Era o momento para deixar a mensagem de que mais importante do que financiamento/investimento e sobre o que é customer development.

Em seguida o Alex Tabor, co-fundador do Peixe Urbano, subiu ao palco. Contou várias histórias hilárias da história do Peixe e explicou como conseguiu fazer um negócio lucrativo desde o dia 1. Era a gota de motivação que faltava para começar os pitches.

Fila dos pitches

Os pitches foram verdadeiros shows de 1 minuto. 41 grandes ideias. Uma pequena reflexão, apenas. Várias das ideias já estão relativamente “batidas” em termos de concorrência e precisavam de mais diferenciação. Talvez um benchmark prévio seja válido para outras edições. A votação correu bem e as 14 escolhidas foram anunciadas. Os times formaram-se em seguida, já no fim da noite de sexta.

Painel de votação nos projetos

Sábado
O sábado é o dia onde as coisas realmente começam a acontecer. A empolgação inicial é substituída por trabalho intenso. No fim da manhã de sábado os mentores passaram time a time colhendo pitches de dois minutos. Obrigado ao Yuri Gitahy, que confirmou nos últimos momentos e ajudou muito nas mentorias.

Brasília – Startup Weekend – pitches do sábado from Alexandre Gomes on Vimeo.

Na tarde de sábado, começaram as mentorias. Um participante confessou pelos corredores… “Caramba, esses mentores só fazem perguntas difíceis”. Acho que cumprimos nosso objetivo de colocar pulgas atrás de orelhas e dar um choque de realidade nos negócios que ali se iniciavam.

O fim da tarde foi regado a alguns goles de cerveja, times empolgados e outros nem tanto. É o momento em que as informações das validações de campo começavam a ser consideradas no desenvolvimento do produto.

Foi difícil encerrar o dia de sábado, os times não queriam parar de trabalhar. Tivemos times se concentrando em casa, indo para cafés e conversas na internet varando a noite.

Domingo
Mesmo com a longa noite anterior, os participantes chegaram cedo ao CDT e retomaram suas posições de trabalho. As equipes aproveitaram para tirar últimas dúvidas com os mentores. O dia voou e, depois do almoço, as equipes foram chamadas – a contragosto, afinal ainda havia muito trabalho – ao auditório para avisos finais.

O último lanche marcou também várias validações de mercado. O time do “Karma Points” plantou árvores vendidas pela sua plataforma de mobilizações sociais. Com estas árvores, a emissão de carbono do Startup Weekend Brasília foi totalmente neutralizada! O pessoal do “Os Músicos” trouxe artistas contatados via sua plataforma para fazer música ao vivo no evento. O clima estava quente para os pitches finais que já começariam.

Time do Karma Points platando árvores comercializadas pela sua plataforma

Pessoal do time "Os Músicos" com os músicos contratados via plataforma.

As apresentações finais começaram e era possível ver o misto de nervosismo e empolgação nos rostos dos empreendedores. O pessoal do Challenge Me conquistou a plateia ao falar do seu case de insucesso e sobre os erros que poderiam ter evitado. “Fail Fast” na veia!

O nível das apresentações foi ótimo. Isto, com certeza, aumentou o grau de dificuldade das decisões. Os jurados se reuniram para escolher os vencedores e depois de uma acalorada discussão saíram com a definição dos cinco melhores projetos.

Quinto Lugar – TANAMODA
A plataforma de sugestão de produtos de moda baseada em interesses teve uma ótima apresentação final e demonstrou bem seus mecanismos de geração de receita. Perdeu pontos na execução do protótipo.

Quarto lugar – Fashionistas
O Fashionist.as posicionou bem sua intenção de ser um guarda-roupa virtual. O projeto foi bem executado e apresentado. O grupo vai ter que lidar, entretanto, com a simplificação da tarefa de cadastrar peças e com a diferenciação perante a concorrência.

Terceiro lugar – Save Spot
A ferramenta de reserva de mesas em restaurantes é um típico exemplo de negócio onde todos ganham. Ganha o restaurante, que aumenta sua taxa de ocupação e ganham os clientes, especialmente em comodidade.  As considerações dos mentores sobre o Save Spot incluíram principalmente aperfeiçoar os procedimentos de “no show”. É ainda um mercado em que a concorrência é grande.

Segundo Lugar – Os Músicos
O pitch de um músico/desenvolvedor que buscava melhorar o relacionamento com seus clientes deu origem a um verdadeiro marketplace de músicos que desejam tocar em eventos e seus clientes. Uma execução brilhante e a validação de mercado levaram o grupo ao segundo lugar. O modelo de negócio, talvez com muitas possibilidades mas pouco explorado pelo time, deve ser aperfeiçoado para levar o produto ao mercado.

Primeiro Lugar – Eu, Consultor
Ao atacar um problema claro – gerenciamento de pedidos e estoque por consultores de venda direta – com ineditismo, o “Eu, Consultor” levou a premiação principal do nosso evento. O time definiu bem seu escopo, validou a real demanda por parte dos clientes e fez o simples (e efetivo) no modelo de geração de receita.

Premiação Startup Weekend - Mariana Costa/UnB Agência

E, depois da foto final, fica a sensação de dever cumprido e um gás infinito de movimentar as startups de Brasília. Outros Startup Weekend Brasília virão e, melhor de tudo, em muito breve ouviremos grandes notícias das startups de Brasília.

Roberto Mascarenhas Braga e Bruno Kenj, organizadores

Aparições na mídia
http://www.sbt.com.br/jornalismo/noticias/?c=16877
http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/24158/

http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/24189/
http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=6202
http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=6212
http://startups.ig.com.br/2012/plataforma-eu-consultor-vence-startup-weekend-brasilia/
http://pulsosocial.com/2012/01/25/startup-weekend-in-brazil-%E2%80%93-next-stop-brasilia/
http://www.cdt.unb.br/noticias/index/visualizanoticia/noticia/658
http://www.agenciasebrae.com.br/noticia.kmf?canal=40&cod=13013551